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  • Nina Russo

O parto

Atualizado: 31 de Out de 2019

Vamos falar desse assunto tão delicado ?


Parto é um parto mesmo, não é segredo pra ninguém que meu maior medo era esse momento, e acredito que seja o maior medo de toda a mamãe de primeira viagem.


Durante a gravidez ouvi muito a pergunta " você já escolheu como vai ser seu parto ?", minha resposta sempre era " a Liz que vai escolher", isso porque independente de parto vaginal ou cesárea, eu gostaria de entrar em trabalho de parto, gostaria que ela escolhesse o momento de vir ao mundo.


Por motivos maiores meu parto estava agendado, seria uma cesárea às 19:00 do dia vinte de outubro.


A semana tinha sido mais normal do que de costume, não sentia absolutamente nada, nenhuma contração, nenhuma dor fora do normal, até que chegou domingo.


Sempre me perguntava se o dia do parto seria um dia comum, isso porque na minha cabeça eu estava esperando o meu momento de "trabalho de parto", como eu estava com a cesárea marcada, apesar da ansiedade quando o final de semana foi se aproximando eu estava tranquila.


Sabado foi um dia normal, a não ser pelo fato de eu estar inquieta, eu fiquei andando pela casa de um lado para o outro, não parava de forma alguma, assisti REI LEÃO com a minha família, catando em alto e bom tom todas as músicas, minha mãe resolveu tingir o cabelo para esperar a Liz, eu fiz escova no cabelo dela, cortei o cabelo do pai da Liz pelo mesmo motivo, porque ele já estava comigo esperando o Domingo chegar, e nesse momento , eu comecei a sentir umas pontadas, ele até perguntou "é contração ?" e eu disse que não, que era uma pontada forte e que precisava sentar, de fato, não se comparou com absolutamente nada do que eu senti nos últimos meses, isso devia ser umas 20:00 mais ou menos.


Pontadas daqui e de lá, pontadas e mais pontadas,coloquei pijama, escovei os dentes, deitei para ver novela, me posicionei com os meus mil travesseiros e as "pontadas continuaram", aos poucos foram ficando mais e mais fortes, eu chorei de dor, esmaguei muitos dedos, agarrava o travesseiro como se fosse arrancar um pedaço de alguém, chorava mais e mais, chamei minha mãe no quarto, pedi um chá de camomila,e lá pra 1:30 da manhã (já era domingo) eu comecei a achar aquilo INSUPORTÁVEL e começamos a marcas a hora que eu sentia as tais "pontadas", dez em dez minutos, como um relógio, elas vinham cada vez mais fortes, intensas e minha mãe dizia " vamos ligar pra sua médica ?", e como eu estava CDF no assunto "fases do parto" eu disse "NÃO", de dez em dez minutos elas continuavam, e eu continuava dizendo não, até que começou a bater cinco em cinco minutos, nesse momento eu tinha a certeza de que eu estava em trabalho de parto, minha mãe chegou no meu ouvido e disse "Karina vamos para a maternidade?" e eu disse "SIM", arrumei minhas coisas, meu pai foi avisar meu irmão que estávamos saindo, todos nos preparamos e fomos a caminho da ProMatre.


Do carro liguei para minha médica e ela já foi pra lá também, eu fui agarrada no meu travesseiro que eu não conseguia largar de forma alguma, naquele momento a música que marcou foi "Time after time" da minha playlist do Spotify "NINOCA".


Eu estava em uma mistura de medo com felicidade com " eu não acredito", lembro de virar pro meu pai e falar " eu estou tão feliz que a Liz escolheu nascer no mesmo dia que a cesárea estava marcada, eu não queria escolher o momento dela nascer, e no fim quem está escolhendo é ela ".


Cheguei na maternidade, minha barriga estava altíssima, eu tive um leve sangramento, e de fato estava em trabalho de parto, a médica responsável ligou para a minha médica e em breve eu estaria a caminho da sala de cirurgia.


Foi tudo muito rápido e demorou para eu assimilar o que realmente estava acontecendo.


De repente eu estava com aquela roupinha cirúrgica, aguardando uma cadeira de rodas que me levaria a sala do parto, em pouco tempo vi minha médica me dando "Bom dia", e um alivio no meu peito, lembro de ter falado " que bom te ver Dra", é realmente importante ver um rosto conhecido nesse momento.


Entrei na sala, me posicionaram e logo começaram as apresentações, " eu sou o anestesista.." " eu sou o técnico disso e daquilo", e de repente eu estava lá diante de um dos meus maiores medos.


Me sentei para tomar a tal anestesia que todo mundo diz que é a morte e eu confesso que não senti nada, mas também não conseguia relaxar.


Quando a anestesia funcionou, eu comecei a sentir um enjoo enorme, me medicaram e então começou.


"Karina, você vai sentir o bumbum e a perna ficarem quentes, quando isso acontecer a anestesia vai ter pegado e vamos começar".


O enjoo e a tremedeira foram tomando conta de mim, e não era mais de nervoso, era o efeito da anestesia, eu tremia muito e mal conseguia ficar de olhos abertos, na verdade, eu nem fiquei de olhos abertos, meus dentes tremiam e eu só conseguia prestar atenção na minha tremedeira e pensar no porque eu estava daquele jeito.


6:16 Parabéns, nasceu !

Parabéns!



Nesse momento eu olhei para o relógio, olhei pra um dos técnicos de enfermagem e fiquei pensando" ué, cadê o choro?".


Depois de alguns segundos eu ouvi bem baixinho, um leve chorinho e pensei " ufaa, está tudo bem", o que eu não podia prever era o susto que tomei na sequência.


Os minutos foram passando e eu não via a minha filha, ai chegou a médica pediátrica e falou " Karina, está tudo bem, mas a sua nenem não está conseguindo respirar sem o oxigênio, a gente vai tentar fazer o possível para te mostrar ela".


Você consegue imaginar como eu me senti nesse momento?

Como assim? Eu quero ver minha filha! Chorei muito nesse momento.


De fato, a Liz não conseguiu sair do oxigênio e eu só a vi pela incubadora, me levaram até a sala do pós parto e eu em um estado péssimo.




Tremendo muito, com muito enjoo, chorando e com o coração apertado.

Enquanto eu aguardava o efeito a anestesia passar e o remédio de enjoo, eu acabei vomitando, passando muito mal, a tremedeira não passava e as minhas pernas não voltavam, eu fiquei mais ou menos umas três horas nessas condições.


Quando eu finalmente senti minhas pernas me levaram pro quarto, eu estava totalmente anestesiada e muito chateada por não ter visto minha filha.


Fui pro quarto com aquele sentimento de tristeza e vazio, rezando mentalmente para ver ela logo e aquela sensação passar.


Acabei tomando banho, comendo, dormindo, vendo as horas passarem, até que as 17:00 eu fui conhecer a minha pipoquinha na UTI.


Ver ela ali, tão pequeninha, preencheu meu coração, ela já estava bem, mas ficaria em observação até o dia seguinte.


Depois de tanta medicação e uma dor insuportável da cesárea eu dormi.


Essa primeira noite é muito louca, porque você não consegue se mexer, tudo dói, eu sentia o corte queimar, não tinha coragem de passar mão, sentia muita dor, enfermeiras entrando a todo momento para ver meu peito, medir minha temperatura, me dar medicação, olhar meu corte, medir a pressão, falar coisas, nossa senhora, um tanto quanto perturbador eu diria, mas ao mesmo tempo, me sentia cuidada por cada profissional ali.


No dia seguinte eu não via a hora de tomar minha medicação para ir ver a pipoquinha na UTI, fui ver ela, meus olhos se emocionavam com cada mexidinha de dedo, e ai a médica falou " Karina, você pode vir aqui 12:00 para amamentar a Liz ?", meu coração preencheu nesse momento, eu não conseguia acreditar, ia segurar minha filha pela primeira vez.


Fui 12:00, depois fui as 15:00 amamentar e todo a minha agonia de mamilos passou, assim que a vi sugando, eu estava dando muito mais do que alimento pra ela, eu estava dando amor, eu estava me doando ali.


Naquela noite Liz teve alta e foi pro quarto,e assim começou a nossa internação.


Primeira noite ela foi pro berçário porque eu estava exausta, e na outra ela ficou no quarto e foi de fato um amor só.


Aos cuidados das enfermeiras eu amamentei todas as vezes com um sorriso no rosto, ela não chorou nada perto do que eu ouvia nos corredores, eu fui muito bem cuidada por cada uma que entrava no quarto.


Minha médica me fazia me sentir segura com cada visita, explicação e medicação extra que deixava pra mim.


Comecei a me movimentar melhor e enfim, chegou o dia da alta, nem acredito que a Liz agora estava nesse mundão.


Meu amor, minha pipoquinha.


Dizem que muitas mães sentem aquele amor incondicional ainda gravidas, eu não senti, mas virei mais do que mãe quando eu não ouvia o seu choro na mesa de cirurgia, eu virei uma mulher forte, e que daria a vida para ouvir a minha nenem.


No momento que eu a vi, alí, frágil, eu virei uma outra Karina,e hoje poucos dias depois do nascimento dela, eu digo: Morreria por ela, e enfrento qualquer coisa para ver ela bem.


Antes que me perguntem sobre o porque de pipoquinha, eu simplesmente não sei, sempre falava que iria explodir quando eu estava gravida, e quando eu vi pela primeira vez o seu rostinho eu simplesmente soltei " ooii meu amoor, oii minha pipoquinha", coisa de mãe, sei lá.


Liz nasceu com 2.785 kg e 45,5 cm.

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