Buscar
  • Nina Russo

Eu aceito essa condição



Lembro que quando eu descobri a minha gravidez em 2017, eu obviamente tive muito medo, mas eu estava namorando, estava apaixonada, meu irmão ficou master feliz então foi mais fácil aceitar "de primeira".


Não vou entrar no quesito de como contei a novidade, porque isso merece um texto a parte, mas sim vou falar sobre mim.


Eu estava apavorada com a ideia de ser mãe, e sei que independente da idade, e independente da condição, esse sempre seria um momento de medo meu, mas como eu disse, na época eu estava completamente apaixonada, namorando e quando eu contei pra ele, no primeiro momento ele ficou em silêncio e logo depois disse " que bom que a mulher da minha vida vai ter um filho meu, eu estou do seu lado para o que você precisar".


Logo quando contei eu e ele fomos viajar, até então meus pais não sabiam de nada, nem os dele, então aproveitamos a nossa pequena viagem para namorar e para curtir a ideia de que seriamos papais e assim foi.


Lembro de como me senti segura, como ele cuidava de mim e como mesmo sem saber já chamávamos a "pança" de Liz ( depois eu conto porque chamávamos ela assim).


Tudo estava indo bem, na minha cabeça eu já tinha aceitado o fato de ser mãe, até que quando a noticia começou a se espalhar o jogo virou, mas também não vamos falar disso agora.


Dessa vez, como eu disse, logo no inicio eu fiquei desacreditada, não aceitava de forma alguma essa situação, eu não queria estar passando por isso, minha cabeça e meu mundo estavam de ponta cabeça.


Os dias foram passando, as semanas também, a minha cabeça borbulhava, eu tomava o remédio que minha médica tinha me passado contra a minha vontade, mais tomava, me sentia doente, me sentia incapaz, me sentia um lixo de pessoa.


Não conseguia tocar no assunto, não gostava que perguntassem sobre, não gostava de fazer planos, não gostava de imaginar o meu futuro, não aceitava, simples assim.


Fui com a minha mãe na minha médica e ela com um sorriso de orelha a orelha disse

" Que bom que você está aqui, e que bom que você não interrompeu a sua gestação, do jeito que você saiu daqui da ultima vez, eu achei que você tinha sido convencida a fazer o que não queria", nesse momento me abri, contei pra ela o que tinha passado na minha cabeça, e disse que apesar de tudo eu acreditava em destino, em karma e que eu iria seguir em frente, mesmo estando depressiva e infeliz com aquela situação.


Ela me passou os exames, e foi ai que o meu primeiro ultrassom morfológico foi marcado, eu já tinha passado dos três meses de gestação, já tinha entendido que seria mãe, e aceitado a minha nova condição, ainda assim, eu não tinha contado pra muita gente, as amigas que eu havia contado eram as que me viram sofrer de verdade, e minha família, que era obrigada a viver com o meu silêncio, dia após dia.


No dia do exame, lembro que cheguei no laboratório bem pálida, respirando fundo e olhando um monte de gravidas felizes, para mim aquilo era uma tortura, quando fui assinar os papeis para dar a entrada no laboratório a atendente me perguntou toda sorridente " é sua primeira vez aqui ? você vai querer saber o sexo caso o médico consiga ver ou vai fazer chá revelação ? preciso saber para colocar na sua ficha!".


Entrei para o exame como quem entrava em um velório, o meu médico é muito sério, uma japonês bem técnico, e como eu não queria papo e nem ser bajulada eu achei o máximo.


Assim que ele encostou o ultrassom eu já vi ali um bebê, meu olhos ficaram paralisados, " eeepppaa, pera aiii, isso ai tá dentro de mim ?", ele começou a medir o tamanho do bebê, me mostrar os dedinhos, a perninha, o pézinho, o coração, enfim, era literalmente um nenem, e ele logo disse, " posso dar um palpite do sexo ? acho que consegui ver !" eu autorizei e ele disse " é uma menina", continuei parada olhando aquele exame, ouvindo o coração, vendo ela dobrar a perninha, soluçar, se mexer pra caramba dentro de mim, eu não consegui falar muita coisa, só pensava " é menina?".


Desci o elevador do laboratório em silêncio e quando sai pra rua e senti o vento no meu rosto, eu olhei pra minha mãe e comecei a chorar MUITO, brinco que as lagrimas vazavam de mim, eu não conseguia me controlar, e foi alí, naquele momento que eu aceitei de verdade o fato que seria mãe.


Eu chorava, abraçava minha mãe, e falava "é uma menina, eu não acredito", " MÃEE É A LIZ, ela está dentro de mim", chorava sem parar, e assim fiquei um bom tempo, quando entrei no carro olhei pra minha mãe, dei um abraço nela e disse " eu vou ser mãe de uma menina", nem eu acreditei que falei aquilo " vou ser mãe".


Tem gente que fica comovido ouvindo o coração, tem gente que só cai a ficha quando começa a sentir os movimentos, quando vê o ultrassom, quando vê o teste de farmácia,enfim, cada mulher leva um tempo para cair em sí, para aceitar, claro que isso no caso de você não estar desejando, porque eu acredito que pra quem sonha, ver um teste positivo deve ser a maior alegria da vida.


No meu caso, o meu momento foi quando vi meu pacotinho, dentro de mim, e alí começou o meu amor pela pança e a aceitação do meu novo estado.



16 visualizações

RECEBA AS NOVIDADES

  • Black Instagram Icon

© 2019 por nina russo